quarta-feira, maio 09, 2012
Battleship, ou as minhas duas horas de pasmo
Aconteceu ontem. E o acontecimento merece relevo por poucas, mas notáveis, razões. Em primeiro, e sobretudo, porque já não acontecia - comigo - há muito tempo. Ontem, pela primeira vez, creio que em muitos anos - pelo menos desde o primeiro "Jeepers Creepers" - vi um dos piores filmes jamais produzidos, realizados e representados... até ao fim.

Por norma, quando não gosto de um filme por qualquer razão, mudo de canal; fecho a janela do browser e escolho outro filme; saio a meio da sala de cinema; ou, simplesmente, adormeço.

Ontem não foi um desses dias. Ontem a fita era tão má, tão má, tão má que, a determinado momento, se tornou... interessante.

Eu não sou propriamente fascinado pela mediocridade. Nem creio que haja nela qualquer mérito. Mas quando essa mediocridade atinge níveis abaixo de zero a coisa passa para o domínio da bizarria. E o bizarro é confrangedoramente interessante, cativante... hipnotizante.

E foi com o espírito mesmerizado que, oito minutos apenas depois de me ter instalado no sofá e clicado no botãozinho play no meu site favorito de filmes, eu continuei a ver essa  pérola de vulgaridade, essa ode à frivolidade que dá pelo nome de... 'ta-daaa'... BATTLESHIP.

Vá foda-se!... BATTLESHIP!... Os gaijos até lhe deram um nome imponente. É singelo, simples, pouco presunçoso. Respeitável até. Parece que se trata de uma coisa séria!

Vou ser sincero. A primeira coisa que vi do filme, num teaser, há uns meses atrás, foi um portentoso navio de guerra, o Liam Neeson e a palavra BATTLESHIP! Convenceu-me, admito. Gosto de navios de guerra. Gosto do Liam Neeson. E BATTLESHIP, só assim, sem mais nada, dava-me a entender que vinha aí um épico do género.

Depois vieram os trailers e a coisa começou a desvendar-se: "Afinal parece que há extra-terrestres metidos ao barulho! Porra, lá vão os americanos ter que expulsar a pontapé  e à bastonada a enésima raça de criaturas de outros planetas que nos vêm cá foder o juízo e acabar com o nosso sossego", pensei eu. E pensei bem.  Mas prontos... como até sou adepto da ficção científica, achei que estava preparado para assistir a mais uma versão do triunfo do engenho humano sobre o mais que evidente e avassalador avanço tecnológico da força invasora. Achei mal... Achei tão mal.

A verdade é que nada nos prepara para um BATTLESHIP. Nada!

BATTLESHIP é um hino à falta geral de ideias... e à falta de coerência das poucas que o guionista teve. É o cinema blockbuster elevado ao ridículo. É pornografia de luzes, explosões e frases feitas de cinco palavras. É a prova de que, efectivamente, é possível fazer um filme só com efeitos (não assim tão) especiais e sem um único diálogo com o mínimo de substância. BATTLESHIP é Peter Berg a chamar "coninhas" ao John Woo.


Abençoados sejam, porém, os engenheiros que desenharam as criaturas extra-terrestres. Porque qualquer uma delas é mais expressiva que os actores que deram vida às personagens mais enfadonhas, previsíveis e estúpidas que um filme de acção alguma vez imortalizou. Comparado com estes... Arnold Schwarzenegger merecia um Óscar pelo trabalho em "O Predador".

Mas são os pequenos pormenores que vão tornar BATTLESHIP num filme "de culto". Talvez não pelas melhores razões mas, ainda assim, "de culto". Detalhes que, por um lado, levam o filme a afundar-se abaixo da linha da mediocridade enquanto produção cinematográfica, e, por outro,  revolucionam todos os conceitos do género da ficção-científica tal como o conhecemos  (ou conhecíamos). Mas prometo falar mais sobre este aspecto amanhã ou depois, que o post já vai longo.

Até lá... Ridley Scott? James Cameron? John Carpenter? George Lucas? Steven Spielberg?...  Ponham-se a pau. Há um puto novo a brincar com naves espaciais às "invasões à Terra". Chama-se Peter Berg... e não regula bem dos cornos!
posted by Raimundo @ quarta-feira, maio 09, 2012  
5 Obscenidades evitáveis:
  • At 10 maio, 2012 00:14, Blogger Catarina Moura said…

    uhm.... será Battleship o próximo Plan 9 from outer space?!

     
  • At 10 maio, 2012 00:21, Blogger Raimundo said…

    Falta-lhe um certo... panache! Ao Battleship, claro. Porque o "Plan 9 From Outter Space" já está envolvido em toda uma mística que só o tempo permite adquirir. Ainda assim, não me parece que, enquanto "Melhor Pior Filme de Sempre", o "Plan 9" seja destronado. O Battleship é, para já, apenas MUITO MAU!

     
  • At 10 maio, 2012 00:24, Blogger Catarina Moura said…

    Este comentário foi removido pelo autor.

     
  • At 10 maio, 2012 00:29, Blogger Catarina Moura said…

    Volto a comentar apenas para dizer que removi o comentário anterior porque adoro ler coisas como 'Este comentário foi removido pelo autor'. Por isso, se calhar sou o tipo de imbecil para quem foram feitos filmes como o Battleship. Ou então estou só a torrar-te a paciência para te relembrar da razão pela qual estiveste afastado do blog durante tanto tempo. Sim, no fundo isto é serviço público. Com um toque de incontinência verbal.

     
  • At 10 maio, 2012 00:41, Blogger Raimundo said…

    Incontinência verbal?! Não sei do que estás a falar.

     
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