domingo, janeiro 22, 2006
Domingo de eleições

Domingo de eleições. Só o Carnaval me deixa mais mal-humorado. Não há futebol, a TV altera a programação e, ao final da noite, um grupo de bêbados e/ou desocupados lembra-se de pegar no carro e correr as ruas a apitar desenfreadamente. É um panorama terceiro-mundista.

À hora que escrevo estas linhas ainda nem sequer abriram as mesas de voto, mas já estou a imaginar o que vai ser à noite: centenas de carros a empastelar o trânsito com criancinhas com o tronco de fora das janelas a agitar bandeirinhas e a gritar euforicamente como se a sua equipa acabasse de ganhar o campeonato. Carrinhas de caixa aberta carregando uma dezena de labregos a entoar cânticos de vitória. E todos a apitar e a gaitar para quem passa na rua e para quem está descansadinho em casa a ver um DVD porque todas as televisões ainda estão a transmitir sondagens de última hora, comentários de analistas demasiado inteligentes para serem políticos, e graficozinhos coloridos com o mapa do país a explicar quem ganhou e onde.

O mais triste disto tudo é que esses otários que andam por aí a buzinar acham que venceram alguma coisa. Ingénuos e ignorantes. Quem ganhou foi ele… o eleito… seja ele quem for. Ganhou um emprego muito bem pago, com direito a casa, carro, comida e roupa lavada para os próximos cinco anos. E, porém, estas bestas buzinantes estão felicíssimas da vida. Como se lhes tivessem saído quatro números e duas estrelas no Euromilhões de sexta-feira.

Como expliquei ontem, a maioria das pessoas não vota por uma política… vota por um político. Não vota nos valores em que acredita… vota por um emblema que tem adversários. Não vota para os próximos cinco anos… vota para as cinco horas à noite em que vai andar pelas ruas da cidade a buzinar. E não buzina para saudar o vencedor… buzina para humilhar os derrotados…

Tão felizes que elas andam, e nem se dão conta que é o mesmo filme de sempre. Daqui a uns meses já estão a falar mal do homem e das péssimas decisões que tomou. E dos interesses suspeitos com que está comprometido. E dos empregos que arranjou… para os filhos dos amigos. Foi assim nas últimas, e nas anteriores. Foi sempre assim. Mas ninguém parece lembrar-se disso. E o mais preocupante é que ninguém se quer lembrar.

Ignorância é mesmo Felicidade. E cada um tem direito a lutar pela sua… nem que para isso abdique voluntariamente da memória do passado recente!


Nem sequer os odeio... Só sinto pena!

posted by Raimundo @ domingo, janeiro 22, 2006  
2 Obscenidades evitáveis:
  • At 24 janeiro, 2006 00:53, Blogger Rui deOliveira said…

    Não podia estar mais certo! Não se vota por uma política ou por um ideal, mas também não se concorre por nenhuma dessas razões.

    Assim, continuo a minha vidinha, a achar que o meu voto faz a diferença e a acreditar que aquele senhor que está lá em cima a discursar vai fazer qualquer coisa por mim... sou um bocado ingénuo, não sou?

     
  • At 24 janeiro, 2006 03:22, Blogger Raimundo said…

    Só um bocadinho. Mas que seria do mundo sem ingenuidade?... Um local frio, quadrado e sem magia. Alguém como eu não faria sentido num mundo assim!

    Bem aventurados os ingénuos!... Pois deles é o reino dos céus!

     
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